Por uma cabeça

No asfalto. Passo diariamente em frente à uma escola em construção. O conjunto de mendigos deitados, o conjunto de traficantes encostando os carros, o conjunto de playboys que aparecem para comprar dos encostados. Ou para espancar os deitados. Em frente à uma escola em construção. À frente ninguém sabe ler nem escrever, são todos professores.

Ninguém tem mais que vinte anos, apenas os policiais que chegam para conversar e levar um ou outro para um passeio, que às vezes voltam e às vezes não. Ainda assim eles parecem ter menos medo da rua que eu.  

De vez em quando para um blindado fumê, um dos traficantes estaciona o carro, cobra dez reais. Os grisalhos de terno entram na escola. Não demoram mais que meia hora, a obra parece estar indo em ordem e progresso. Atravesso de bicicleta e nunca enxergo os operários trabalhando. É por isso que descobri. Que a escola em construção já é uma escola em ruínas.