Carnavália


Carnaval: 1. Festa popular e coletiva. – 2. Desordem, confusão, orgia.

Valia: 1. Valor intrínseco a um objeto. – 2. Valor estimativo. – 3. Préstimo, utilidade, merecimento, mérito, valor.

Valor: 1. Qualidade de quem tem valentia, audácia, coragem. – 2. Atribuição concedida a algo ou alguém por merecimento ou mérito. – 3. Qualidade que revela o préstimo ou serventia de algo. – 4. Consideração, estima. – 5. Importância.

 

Pois isto é um livro.
Assim ele é, cabe aos meios o formato da obra, nesse caso a internet com todo o seu potencial de contra-cultura e de vanguarda também consta transportar o que antes não saia de seu lugar. Leão-marinho, peixe-boi, mico-leão, livro ponto com, a branca de neve comendo a rapunzel, Robin Hood na novela das oito. Então primeiro é isso: misturar, tirar uma coisa de seu lugar de origem para dá-la um novo significado. Estamos aqui em um labirinto em que cada texto contém janelas que vão levar para um outro quarto de textos, assim sendo é também um jogo, um novo livro em cada leitura, ou um livro que nunca acaba. Artes-plásticas de agora, que fala desse momento daqui, de como nosso olhar está multifocal, fecundado na velocidade. Devemos estar atentos aos sinais e luzes (janelas, links) que surgem e que vão nos levar (vão?) à algum lugar?

Carnavália quer significar: o valor da carne, e é o título deste livro de poesias do Gabriel Pardal. Como o nome pode sugerir, são textos incisivos, críticos, de certa forma cômicos, arte que não imita a vida, mas que questiona a vida ao ponto de enfrentá-la. São testemunhos dessa atual organização social, os indivíduos se tornando ao mesmo tempo consumidores de mercadorias e também as próprias mercadorias que consomem. Cada pessoa é publicitário de si mesmo. Vida chamada Mercado. Sua poesia tem o caráter da fala, influência direta do começo de carreira no teatro. Quando lemos seus poemas parece que estamos lhe escutando falar. Poesia da contemporaneidade, afirmando a arte como atividade pensante, reflexiva, política e viva – que age e reage ao caminhar – compromissada com os valores e as perspectivas estabelecidas, no intuito de inspirar a reflexão e estimular o impulso. Pardal está mais interessado em questionar do que em responder.

Gabe é baiano de 24 anos, escreve desde os 12 e já participou de dezenas de sites literários, sua linguagem e estilo é herdeira desse ambiente. Foi co-criador do zine por e-mail Terreno Baldio (2000-2002), e do Almirante (2002). Também é ator, dramaturgo, compositor e componente da banda de um homem só chamada Leirbag. Faz parte do movimento dos poetas de rua do Rio de Janeiro, visto com frequência nos centros culturais da cidade vendendo seus livretos à contribuição voluntária. Atualmente se distrai em seu site pessoal, Nomedacousa (blogue que teve sua primeira versão em 2002) e numa rede estendida na varanda no Myspace, onde lê alguns de seus poemas ao som da Leirbag. Hoje mora no Rio de Janeiro, mas está sempre por aí.

Esse livro é uma criação do Laboratório Criativo Projeto Avante.